Significado

Objetos transicionais

tran · si · cio · nais
transitional objects and phenomena

O ursinho, a ponta do cobertor, a música que embala. A primeira coisa que é, ao mesmo tempo, do bebê e do mundo. A primeira ponte.

A primeira posse

Há um objeto que a criança elege e ao qual se apega: o paninho, o bicho de pelúcia, um gesto repetido, um cantarolar antes de dormir. Winnicott o chamou de primeira possessão não-eu, e o situou numa área de experiência que não é nem puramente interna nem puramente externa. É a primeira região intermediária entre o que se sonha e o que se encontra.

"Introduzi os termos 'objetos transicionais' e 'fenômenos transicionais' para designar a área intermediária de experiência entre o polegar e o ursinho, entre o erotismo oral e a verdadeira relação de objeto [...]."

Winnicott, "Objetos transicionais e fenômenos transicionais", em O brincar e a realidade (Ubu, 2019), p. 14. (Formulação original de 1951/1953.)

O paradoxo que sustenta

Não se pergunta a uma criança se ela criou o objeto ou se o encontrou pronto. A pergunta não cabe, e essa é a questão. O objeto transicional é criado e encontrado ao mesmo tempo. Winnicott pede que esse paradoxo seja respeitado, e não desfeito. Resolvê-lo, escolher um dos lados, faz perder justamente o que ali nasce: a raiz do brincar, do símbolo, da cultura.

"Minha contribuição é pedir ao leitor que aceite, tolere e respeite esse paradoxo, em vez de resolvê-lo. [...] será possível resolvê-lo, mas isso acarretaria a perda do valor do próprio paradoxo."

Winnicott, O brincar e a realidade (Ubu, 2019), Introdução, p. 11.

Na clínica

Habitar o intermediário, não desmascarar

Boa parte do trabalho analítico acontece nessa área intermediária. A transferência, a metáfora, o jogo de imagens entre quem fala e quem escuta vivem ali. O analista winnicottiano tende a preservar o paradoxo de quem o procura, em vez de apressar uma explicação que o dissolva. Há sentidos que só permanecem vivos enquanto não são reduzidos a uma única verdade.

Um mal-entendido comum

O conceito não se reduz ao objeto físico, ao "paninho de segurança" da psicologia do desenvolvimento. O essencial são os fenômenos transicionais e a área de experiência que eles abrem, um modo de habitar a realidade, e não uma coisa. É dessa área, segundo Winnicott, que brotam a experiência cultural, a arte e a religião.

Referência

Nem tudo que é seu precisa ser explicado para ser verdadeiro.