Significado

Espaço potencial

e  o  brin · car
potential space / playing

Existe uma terceira área, nem só dentro nem só fora, entre você e o mundo. É onde se brinca, se cria, e onde, para Winnicott, a vida vale a pena.

Onde se vive

Winnicott observou que Freud não havia destinado, em seu mapa da mente, um lugar para a experiência cultural. Ele propôs esse lugar: o espaço potencial, uma área entre o indivíduo e o ambiente, herdeira daquela primeira região entre o bebê e a mãe. Não é o mundo interno dos sonhos, nem a realidade compartilhada e dura. É o entre. E é ali que mora o brincar, a arte, a religião, o pensar criativo.

"O lugar onde a experiência cultural se localiza é o espaço potencial entre o indivíduo e o ambiente (originalmente o objeto). [...] Experiências culturais começam com a vida criativa manifestada inicialmente na brincadeira."

Winnicott, "A localização da experiência cultural", em O brincar e a realidade (Ubu, 2019), p. 162.

O brincar não é passatempo

Para Winnicott, brincar é coisa séria. Não no sentido do jogo com regras, mas no do gesto criativo, processual, em que a pessoa habita a área entre o que imagina e o que encontra. É no brincar que alguém se experimenta como real e capaz de criar. E é por isso que a falta dele, a incapacidade de brincar, é um problema clínico de primeira ordem.

Na clínica

Duas áreas do brincar que se sobrepõem

A formulação mais conhecida de Winnicott sobre a clínica está aqui. A análise não é alguém esperto interpretando alguém que sofre. É um encontro entre duas pessoas que, juntas, conseguem brincar. Quando isso não é possível, o trabalho muda de foco: antes de interpretar conteúdos, trata-se de ajudar a pessoa a recuperar a própria capacidade de brincar.

"A psicoterapia ocorre na intersecção entre duas áreas do brincar: a do paciente e a do terapeuta. [...] quando essa brincadeira não é possível, o trabalho do terapeuta consiste em retirar o paciente de um estado marcado pela incapacidade de brincar e trazê-lo para um estado em que consegue fazê-lo."

Winnicott, "O brincar: proposição teórica", em O brincar e a realidade (Ubu, 2019), p. 69.

Um mal-entendido comum

Espaço potencial não é uma metáfora geográfica, um lugar físico em algum canto da mente. É uma área de experiência, e ela existe ou não existe conforme a confiabilidade do ambiente. E brincar, aqui, não é o oposto de seriedade: é a forma mais própria pela qual alguém se torna criativo e se sente vivo.

Referência

Brincar é coisa séria. E continua sendo coisa sua.